SALVATION – KURTULUS

Cartaz do filme SALVATION – KURTULUS
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Opinião

O que pra uns é uma tragédia, pra outros pode ser a salvação. Vilarejos que disputam terras e poder há décadas nas montanhas da Turquia contam uma história que passa pela delicada decisão da escolha da liderança. Um vacilo pode produzir uma catástrofe.

Baseada em fatos reais, SALVATION é filmado na Anatólia e nos leva para este lugar remoto, na região curda, onde dois clãs disputam território. Um clã é expulso, mas se organiza para retomar sua terra. Um simples desentendimento vai escalando o conflito ao mesmo tempo em que escala o clamor religioso reforçando que a missão de defesa do vilarejo é uma missão divina. “Os sonhos sempre me fascinaram, porque é uma maneira de atingir o subconsciente dos personagens”, diz o diretor turco Emin Alper. Em Salvation, os sonhos refletem os pesadelos do protagonista, que acredita receber mensagens divinas. “Os sonhos coletivos são uma confirmação de que é certo usar a violência para defender o território; e assim é feito.”

É em nome de Deus que a disputa territorial se dá. “Uso muito cinema de gênero nos meus filmes, diz o diretor. “Aqui, é western puro.” Num duelo sem fim, o medo é a arma mais poderosa. Sentir-se em perigo leva o clã a se proteger e a praticar a mais atroz maldade: eliminar também mulheres e crianças. Deus está presente no culto, nas orações, nos rituais em que os corpos comunicam a unidade masculina, ritmada, energética e determinada na primeira camada, seguida pela feminina no suporte, nos bastidores.

Mas não só. Mulheres são guerrilheiras também, preparadas para defender seu pedaço e cometer atrocidades. “A maior fonte do mal é o medo”, diz o diretor. “Com medo de perder status, território, poder as pessoas cometem atrocidades e criar a solução coletiva da limpeza étnica.” De novo, que fique claro: tragédia e salvação andam lado a lado.

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