NAGI NOTES – QUELQUES JOURS À NAGI

Cartaz do filme NAGI NOTES – QUELQUES JOURS À NAGI

Opinião

Diferente do ocidente, quando uma mulher se divorcia, ela se separa também da família do marido. No delicado QUELQUES JOURS À NAGI, a arquiteta Yuri vai visitar a ex-cunhada Yoriko, que é escultora em Nagi, e para o diretor Koji Fukada, manter contato é algo incomum, quem dirá um vínculo afetivo. “Vivemos em uma sociedade patriarcal, de modo que apresentar esse comportamento japonês no filme é algo importante na construção da história”, disse o diretor Koji Fukada, na coletiva de imprensa do Festival de Cannes.

Não é à toa que Fukada escolhe Nagi como cenário do filme que tem a arte como pano de fundo onde brotam as possibilidades de expressão. Localizada na zona rural, tem o ritmo que o diretor que imprimir à relação entre elas, inclusive no que diz respeito às atividades artísticas. Yuri será a modelo de Yoriko, que vai se empenhar em esculpir um busco da ex-cunhada. A imobilidade e o tempo necessário para executar a proposta artística é o tempo de observarem a si próprias e de dar ao espectador o tempo de observar os outros personagens ao redor. O despertar da sexualidade dos meninos é claro; o despertar da sensualidade entre elas é ambíguo. “Quis deixar em aberto, como algo sugerido no filme”, diz o diretor, já que casamentos homoafetivos são proibidos no Japão.

NAGI NOTES, inspirado em uma história que se passa em Tóquio, é sutil, contemplativo e fala da questão universal das escolhas e descobertas pessoais. Tudo no tempo desta pequena vila de Nagi.

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