CANNES _ LA VIE D’UNE FEMME
Opinião
Se continuar nessa toada, teremos Léa Drucker todo ano em filmes nos festivais — e isso é bom. Ano passado foi Caso 137 (estreia recente no Brasil), agora a atriz é a protagonista de LA VIE D’UNE FEMME, que é isso mesmo: a vida de uma mulher contemporânea, que não só segura mas equilibra mil pratos ao mesmo tempo, tentando lidar com tudo e todos.
Aqui ela é Gabrielle, uma cirurgiã e chefe de departamento num hospital em plena mudança, que precisa lidar com o enteado, o marido, sua equipe de trabalho, a mãe com Alzheimer e novos desejos que despertam a vontade de viver algo novo. Enérgica e agitadíssima, parece engatar uma missão na outra sem pausas, como se fosse nada fosse capaz de quebrar o ritmo alucinante que a vida sugeriu e ela abraçou.
Mas é claro que os limites aparecem e, embora borrados, mostram a tão desejada vulnerabilidade. Exausta de ser eficiente, essa é Gabrielle. A diretora Charline Bourgeois-Tacquet peca em dividir o filme em partes, dando títulos aos capítulos, como se ver esta mulher vivendo essas funções não nos fosse suficiente posto que ser mulher já traz, nas costas, essa multiplicidade de papeis. É auto-explicativo. Nem que você não seja cirurgiã, vestir a carapuça é algo que acontece automaticamente — ainda mais em se tratando desta atriz que abraça suas personagens com tanta força de decisão.

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