SHEEP IN THE BOX

Cartaz do filme SHEEP IN THE BOX

Opinião

No livro O Pequeno Príncipe, ele, o príncipe, pede que o aviador desenhe um carneiro. O aviador tenta, mas não consegue e encontra uma solução: desenhar só uma caixa e explicar que o carneiro está dentro da caixa. Daí vem o título deste filme, explorando a noção de que a imaginação dá conta de preencher aquilo que a razão não alcança.

A história fala do luto com doçura, mas não é o melhor de Koreeda. Nem de longe. um casal que perde o filho e a inteligência artificial é capaz de substitui-lo por um robô. É uma presença imaginada — e tudo isso em um futuro que já chegou. Assim como o carneiro, o robô preenche o vazio que os pais sentem, e SHEEP IN THE BOX faz eco com outro filme da competição em Cannes este ano: HISTOIRES PARALLÈLES (Contos Paralelos). Aqui, a imaginação é citada por causa da literatura, já que ela é parte fundamental da contação de histórias. A personagem de Isabelle Huppert faz até a pergunta que conecta dos dois filmes: como colocar um pato dentro da garrafa? E ela mesma responde: o pato é real, assim como a garrafa. Colocar um dentro do outro é obra da imaginação.

A reflexão é válida: a IA pode nos substituir e recriar sentimentos humanos? Em tempos de extrema digitalização de todos os aspectos da vida, buscar a conexão com a vida real, com pessoas de verdade, através de experiências desconectadas parece ser a via de salvação.

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