MINOTAURO – MINOTAUR
Opinião
Na mitologia, o MINOTAURO é metade homem, metade animal. É um ser aprisionado em um labirinto, que vai perdendo sua humanidade e passa agir pela lógica da violência e do controle. Vira um monstro por fora e por dentro que, inclusive, devora seus jovens — no mito e no filme do russo Andreï Zviaguistsev.
Vivendo fora da Rússia há seis anos, o diretor tem um distanciamento interessante pra falar do seu país no que diz respeito à estrutura política sem saída, ao belicismo e aos personagens que vão se deformando moralmente até não se reconhecerem mais. “Não há nada mais interessante do que estudar um casal”, diz o diretor Zvyagintsev na coletiva de imprensa em Cannes. “Pra mim, o relacionamento é um campo de batalha em que eles precisam fazer escolhas para saber quem são de verdade.”
Também diretor de Leviatã e Sem Amor, em MINOTAURO ele conta a história de um casal bem sucedido, que mora numa linda casa; ele é empresário, cheio de conexões com pessoas importantes, inclusive do governo; ela é dona de casa. Existe frieza e tensão entre o casal, numa relação que se mantém pelas aparências — e pelas conexões, já que uma mão lava a outra. Como bem disse Zvyagintsev, ele conhece bem essa realidade a ponto de espelhar a família e o país, deixando bem claro grandes temas como corrupção, privilégios da elite, guerra na Ucrânia, controle do Estado. Tudo através da vida familiar que vai se afundando na lama da traição e da conveniência até mais não poder.

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