COWARD
Opinião
Num mundo ancorado na masculinidade viril, em que a sensibilidade não encontra refúgio, a covardia pode despontar de diferentes maneiras. COWARD (covarde) nos leva para as trincheiras da Primeira Guerra, em que ser covarde é não suportar retirar cadáveres do lamaçal, é fazer teatro pra trazer esperança para o batalhão, é recusar a violência e apaixonar-se em pleno combate. Novamente centrado numa dupla de atores masculinos, assim como em Close, o diretor e roteirista Lukas Dhont nos transporta para uma história de amor que para uns pode ser covardia, para outros, um ato de pura coragem e humanidade.
Francis é extrovertido e tem talento para as artes. Sempre se ocupando dos demais, monta uma pequena companhia de teatro com os soldados e, entre uma bomba e outra, faz espetáculos no campo de batalha. A arte traz esperança e sua graça e criatividade transformam a rotina de jovens rodeadas pela morte e pela destruição. Francis se encanta com Pierre, que luta com ele no front, é tímido e reservado, e encontra na arte um caminho pra se expressar. COWARD encontra doçura mesmo na crueldade. Nessa temática do relacionamento homoafetivo, Dhont preza pela delicadeza e naturalidade. Assim como em Close e Girl, o tema se transforma em humanidade.

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