O CONVITE – THE INVITE

Cartaz do filme O CONVITE – THE INVITE

Opinião

O CONVITE do título se desdobra em mais dois no decorrer deste ótimo remake pelas lentes de Olivia Wilde. Sim, o original é do espanhol Cesc Gay, chama-se Sentimental e já foi adaptado em vários idiomas. Algo parecido com o que aconteceu com Perfeitos Desconhecidos. O original é italiano, Perfetti Sconosciuti, e mostra o que acontece quando amigo se reúnem para jantar e fazem a brincadeira de deixar o celular na mesa e compartilhar com o grupo todas as mensagens e ligações recebidas. Filmes que rodam o mundo sendo adaptados, independente da cultura. Claro, porque como bem disse a diretora Olivia Wilde, que também atua no filme, “é sobre o tema universal do relacionamentos desgastados, espaços para segredos, mas também para reinvenções”.

Dizendo assim, parece mais do mesmo. De certo modo, é mesmo. Casamentos sempre vão render histórias, para o bem e para o mal. O que faz O CONVITE funcionar muito bem são três fatores: tem a engenhosidade da graça, tem a arquitetura do drama e tem a presença de elenco. E que elenco! Olivia Wilde é Angela, casada com Joe (Seth Rogen) e vivem o momento do desgaste máximo do casamento, em que um interrompe o outro a todo instante e a impaciência com um simples suspiro é sinal de que a coisa está a ponto de bala. Convidam (o plural, aqui, é por minha conta) o casal que mora no apartamento de cima para jantar. Estão incomodados com o barulho que vem de lá e precisam conversar sobre isso. Piña (Penelope Cruz) e Hawk (Edward Norton) são um casal apaixonado, atentos aos atritos dos vizinhos de baixo e sabem aproveitar as oportunidades para devolver o convite, de outra forma.

Devolvem conduzindo o espectador que no começo fica vendo tiro pra todo lado e depois, aos poucos, vai sendo conduzido pelo casal por um labirinto. Filmado em uma única locação, tem cara de adaptação de peça de teatro e é mesmo. O autor espanhol Cesc Gay escreve para os palcos e isso fica claro quando o apartamento ganha ares de protagonista. Na maneira como Olivia filma, constrói espaços em que os casais podem guardar segredos como a janela vista pelo vizinho, e onde os personagens podem se enxergar ou ver o outro sem ser visto, como os reflexos nos espelhos. Engenhosa a dinâmica que dá ritmo, separa e une os casais, sugere formatos e possibilidades que desmontam as resistências e ajudam a descortinar, tanto para o espectador quanto para os próprios personagens, o que cada um deles representa na história.

Tanto é que o convite se desdobra para o espectador, de uma terceira maneira. Convida ao riso em situações cômicas do tipo quase vergonha alheia e ao drama quando a vira dramédia e se aprofunda nas nuances dos relacionamentos. E ainda a uma boa (quem sabe…) DR pra fazer o balanço sobre sexo, intimidade e tudo mais que está no pacote. É aqui que O CONVITE se encontra com O Drama, do norueguês Kristoffer Borgli, com Zendaya e Robert Pattinson: no lugar do entretenimento de qualidade, que diverte, é inteligente e, de quebra, ainda sugere uma boa conversa depois do filme.

Trailers

Comentários