PEQUENAS TRAGÉDIAS

Cartaz do filme PEQUENAS TRAGÉDIAS

Opinião

Nem só de PEQUENAS TRAGÉDIAS é feita a história contada por Daniel Nolasco. São tragédias consideráveis. Acontece que ele resolve não fazer um documentário tradicional. Quer (precisa!) falar da sua trajetória, mas a realidade daquele tempo em que era jovem em Catalão, pequena-conservadora-homofógica cidade de Goiás, já não existia quando ele volta para documentá-la. Muitos se foram. Alguns morreram. O ambiente LGBTQIA+ já não existia. Assim, sua voz narra, examina, faz rir e chorar de si mesmo, representado pelo ator Guilherme Théo. Claro, assim ele torna sua experiência coletiva e representativa de um grupo que foi silenciado.

Ele decide, então, recriar aquele passado nesses termos. E mistura lembrança com ficção; memória com referências do presente, da própria escolha dramatúrgica; mistura fatos com humor e erotismo, na tentativa (bem sucedida) de não mostrar a violência sofrida na juventude, mas causar incômodo naqueles que operam o motor da violência. Homofóbicos, atenção. Nolasco provoca com o que ele mesmo chamou na apresentação do filme na Cine BH, de “filme de veado”. Não há sexo, mas o erotismo está presente de cabo a rabo e, partindo da premissa de que  a ideia era misturar tragicomédia, visão subjetiva e crítica social do que viveu. Sem didatismo. Sem lição de moral.

Foi o que assisti de mais original no Cine BH. Daniel Nolasco é onipresente: está na direção, no roteiro, no protagonismo. Improvisa, inclusive provocando reflexões sobre as próprias representações do cinema . Um supermercado diferente, uma reunião familiar nada convencional, a quebra da quarta parede irreverente. Nolasco dá um jeito muito jeitoso de contar sua história e fazer eco. Os incomodados que se retirem parecem ser as palavras de ordem.

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