ONDE REPOUSAR MEUS OLHOS – NOWHERE TO LAY MY EYES

Cartaz do filme ONDE REPOUSAR MEUS OLHOS – NOWHERE TO LAY MY EYES

Opinião

O diretor sul-coreado Hong Sang-soo é o queridinho dos festivais e por onde anda acaba levando prêmio. Onde Repousar Meus Olhos foi condecorado em Locarno com melhor direção, melhor atuação (para Kim Min-hee) e do Prêmio do Júri Ecumênico, sem apresentar nem nada de novo, nem nada de excepcional que justificasse. Pelo contrário: fica na sua zona de conforto que envolve seus filmes e se consolidou com sua marca registrada: uma história que registra o cotidiano, sem apresentar um conflito específico que conduza os personagens em uma jornada. Não tem jornada; apenas um recorte. Não que isso seja pouca coisa, mas me parece que a fórmula se desgastou e é capaz de desinteressar até o mais interessado espectador quando se trata desse cinema intimista, minimalista e cotidiano — mesmo com diante de bons filmes e Isabelle Huppert no elenco com foi em A Câmera de Claire e A Traveler’s Need.

Onde Repousar Meus Olhos gira em torno de dois irmãos que vão visitar a mãe que mora com o padrasto na ilha de Jeju. Sanghee e seu irmão não sabiam de muitos detalhes da vida da mãe e vão descobrindo aos poucos, inclusive que a enteada mora com o casal. Filmado de maneira naturalista e realista, não tem efeitos visuais sofisticados, nem cenários elaborados. É a vida cotidiana valorizada pelos diálogos, pela função daquele personagem no ambiente em que encontra, como se nos aproximasse da cena pela absoluta espontaneidade que ela pode conter. Com improvisos, inclusive. A entrega de um diálogo, de uma movimentação, de um encontro é que constróem a intimidade com o espectador. Mas é preciso estar conectado com o ritmo pausado e observador, que leva o espectador e o personagem.

Hong Sang-soo não tem nada a ver com realizadores sul-coreanos que registram críticas sociais e traduzem seus dilemas em thrillers e suspenses instigantes. Aqui, são cenários humanos e melhor dele ficou pra trás em O Dia Depois, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes em 2017. Aqui, temos realmente uma boa história.

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