SOUDAIN – ALL OF A SUDDEN
Opinião
Várias situações apresentadas no novo filme do japonês Ryûsyke Hamaguchi podem fazer referência ao título SOUDAIN, que remete a algo que acontece repentinamente. A descoberta de uma doença, a consciência da finitude, a abertura pra uma amizade improvável que muda a vida de repente se mesclam numa bonita história que Hamaguchi (também de Drive My Car e O Mal Não Existe) não tem pressa em contar. O ritmo vai ao encontro da temática: se a ideia dos personagens estressados é desacelerar e se conectar com o que realmente importa, o espectador é convidado a embarcar junto em um tempo que oferece a possibilidade de observar e refletir.
Marie-Lou é responsável por uma casa de repouso e tenta implementar mudanças que humanizem o tratamento do idoso. Acontece que capacitar o idoso a fazer tarefas sozinho o expõe a riscos de queda, por exemplo, o que aumenta os custos e bate de frente com membros da equipe e com o repasse de verbas. Estressada com toda a situação e com o excesso de trabalho, uma coincidência a leva a ver uma peça de teatro pra se distrair num dia de folga e é ali que sua conexão com a dramaturga japonesa Mari vai acontecer. Ela conta que tem um câncer terminal e como a finitude é assunto presente na vida de Marie-Lou diariamente, o vínculo entre elas se faz naturalmente.
O que se vê a transformação acontecer ora na França, ora no Japão; ora em francês, ora em japonês. Transitar pelas duas culturas é maneira de colocar o espectador pra imaginar o que foi para Hamaguchi dirigir atores franceses sem falar o idioma, além de navegar pelas experiências que elas propõem no filme ao oferecer sua visão de mundo pra tentar “fazer o impossível, possível”.

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