SUGAR

Cartaz do filme SUGAR
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Opinião

A elegância de SUGAR é inquestionável, não só nos trajes, mas também no fino trato. Elegante, gentil, como manda o figurino. Mas, há de se convir, que parte dessa elegância que o conjunto ganha está no fato de este misterioso e solitário detetive particular ser um cinéfilo inveterado. O que assistimos na tela é contado também através de cenas de filmes que fazem parte do repertório de John Sugar e constróem pontes entre o espectador, o personagem e o fascínio que o cinema exerce sobre nós.

Digo fascínio porque é essa a sensação mesmo que a série traz. Proposital. Enquanto Sugar se empenha na resolução de mistérios em Los Angeles (lindamente filmada), trabalha na metalinguagem forte — e elegante também. Sempre com a ideia bem sucedida de nos lembrar que nossas vidas são um filme. Ou, ainda, que são dignas de um filme, por mais banais que possam parecer. Ou, ainda, que nos repetimos inúmeras vezes, aqui ou na China, nas histórias que vivemos e que assistimos. Que a vida não tem grandes novidades, são formatos diferentes de uma mesma história e, assim, a trajetória de Sugar se aproxima da nossa, por mais diferente que seja.

E é diferente num aspecto básico. Se você ainda não viu a primeira temporada, vá em frente. A revelação muda toda a percepção de Sugar, seu trabalho, sua busca pela irmã desaparecida. Faz sentido se nome como “sugar”, aquele que se dissolve, como bem disse uma personagem. Do lugar onde Sugar vem, a perspectiva é outra. Solitário e sozinho neste mundo, sua rede de apoio de colegas de trabalho não é lá muito sólida e, como um imã, seu trabalho será, novamente, encontrar outra pessoa desaparecida na segunda temporada. O irmão de um boxeador da comunidade sul-coreana desta vez, trazendo para essa série noir de detetive a procura pelo pertencimento. Assim como Sugar faz quando se sente um peixe fora d’água na LA seja dos superpoderoso de Hollywood, seja na LA dos marginalizados.

_ série Apple TV

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