TIGRE DE PAPEL – PAPER TIGER
Opinião
Mao Tsé-Tung usava o termo TIGRE DE PAPEL (Paper Tiger) para falar de países que se diziam poderosos, mas que, na realidade, eram internamente frágeis por dentro. Ocos, algo como um “poder de fachada”. Também foi usado pelos ex-territórios da União Soviética para se referir aos Estados Unidos, na mesma pegada. Quando James Gray usa esta expressão como título de um filme que tem como eixo principal o relacionamento de dois irmãos, está ampliando as possibilidades de reflexões sobre a percepção de poder e a realidade nesse foro íntimo que é a família. É um tigre de papel mesmo, que não vale quanto pesa.
TIGRE DE PAPEL conta a história de dois irmãos que mantêm uma relação bem próxima, no Queens, no final dos anos 1980. Um deles é Gary (Adam Driver), um ex-policial influente que enriqueceu atuando nos meandros da cena política de Nova York; o outro Irwin (Miles Teller), um engenheiro dedicado à esposa (Scarlett Johansson) e aos dois filhos adolescentes, que vive uma vida modesta tocando sua pequena empresa. Até que um dia, o irmão que se acha bacana, vê uma oportunidade de ganhar dinheiro com os russos que se infiltraram nos negócios da cidade e querem, teoricamente, “despoluir o rio”. Claro que tudo não passa de negócios estratégicos do crime organizado que domina a cena inundando o país de medo e violência e o espectador já sabe, de antemão, que é encrenca pesada. O “tigre de papel” aqui é transportado para a seara ideológica do sonho americano que se mostra oco, falido e muito mais pomposo do que real e factível.
O suspense está armado. O desenrolar vai envolver diretamente os filhos e a esposa de Irwin num bom drama que espirra, claro, na expectativa que Irwin tem da relação com o irmão, do castelo de cartas que se desmorona sem resistência.


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