WHO DO I BELONG TO – MÉ AL AÏN

Cartaz do filme WHO DO I BELONG TO – MÉ AL AÏN

Opinião

Especial para a 74ª Berlinale

O título já faz a pergunta que não quer calar neste filme que fala de pertencimento. WHO DO I BELONG TO (a quem pertenço?) da diretora Meryam Joobeur, aborda essa temática inclusive transportando sua experiência pessoal de quem foi criada na Tunísia, já morou nos EUA, se divide entre Canadá e Europa. “Quanto mais nos apegamos aos rótulos, mais presos estamos”, diz ela. “Me interessava pensar como construímos nossa identidade, porque vivemos num mundo em que você pode morrer pelo simples fato de ser de um determinado país, ter tal religião.”

Neste primeiro longa da diretora baseado no seu curta Brotherhood, indicado a Oscar em 2018, Aïcha mora na zona rural com marido e três filhos. Seu mundo entra em colapso quando os dois mais velhos são recrutados pelo ISIS e vão lugar na guerra da Síria. Aïcha coloca seu amor materno acima de qualquer coisa e quando um deles volta acompanhado de uma misteriosa mulher grávida, o julgamento de certo ou errado é imediato. Sua presença gera rejeição na comunidade, as diferentes posturas entre pai e mãe geram tensão e o que se vê é uma atmosfera sufocante e cheia de suspense. Os sonhos de Aïcha dão conta de alimentar seu desejo de defender os filhos acima de tudo, o que contrasta com seu luto e a morte da liberdade como conheciam.

WHO DO I BELONG TO fala da natureza universão do ser humano, que tende a olhar as diferenças mais do que as semelhanças. Violências surgem daí. Na entrevista coletiva em Berlim, os dois atores que representam os irmãos não puderam comparecer porque não conseguiram visto a tempo. Sinal dos tempos, da privação da liberdade e do direito de ir e vir dependendo da sua origem, cor, raça, atividade. De forma poética, traz a reflexão sobre o apagamento de pessoas através dos momentos de silêncio no filme e da personagem feminina de burca que não tem falas, mas simboliza mulheres sem voz, silenciadas na guerra.

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