MEU NOME É BAGDÁ
Direção: Caru Alves de Souza
Elenco: Emílio Serrano, Gilda Nomacce, Grace Orsato, Helena Luz, João Paulo Bienemann, Karina Buhr, Marie Maymone, Nick Batista, Paulette Pink, William Costa
Ano de lançamento: 2020
País: Brasil
Gênero: Drama
Estado de espírito: Para Pensar
Duração: 99 min
Tags: abuso sexual, feminino, feminismo, girl, girlpower, meninas, periferia, skate, skateboard, skatista, sororidade
Opinião
MEU NOME É BAGDÁ foi apresentado no Festival de Berlim em 2021 e levou Grand Prix na categoria Generation. Dialoga intimamente com a proposta dessa mostra da Berlinale que descobre pérolas com uma linguagem única e universal ao mesmo tempo. Única porque nos apresenta universos particulares e desconhecidos; universal, porque é a linguagem do jovem mundo afora que transmite seus desafios e ritos de passagem.
Bagdá tem 17 anos e é representada pela skatista Grace Orsato, de 23. É o seu primeiro papel no cinema. Tem personalidade, transita naturalmente pelo espaço do skate e traz um recorte que se encaixa sensivelmente no comportamento dessa geração.
Aliás, Grace nem parece novata. Fala com propriedade do machismo dos skatistas, da cumplicidade das outras garotas, da sororidade que se transforma rapidamente em força, respaldo, respeito, razão, pra trazer à tona assuntos como abuso, machismo, violência, homofobia. Bagdá mora na Freguesia do Ó, periferia de São Paulo, que representa todas áreas consideradas periféricas das grandes cidades, no seu sentido mais amplo, claro, de estar à margem. De tudo.
Caru Alves conta essa história feminina, que não só passa, mas se embasa nas cenas familiares, dominada por mulheres. Bagdá tem duas irmãs que juntas formam um trio espetacular de quem se vira nos 30 pra encontrar graça, leveza, poesia no dia a dia. A elas se juntam a mãe, tia, amigas do bairro pra botar ordem onde homens folgados e abusivos ainda acham que podem chegar sem serem chamados.
MEU NOME É BAGDÁ é uma narrativa dentre outras que têm surgido com olhar feminino na direção, no roteiro, na produção, na fotografia, na direção de arte. Ainda bem. O mesmo visto com outros olhos é sempre um convite à reflexão. Quando à energia e sinergia que têm todas mulheres do elenco, a pequena Bia é uma pérola à parte!




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