A SUPREMA FELICIDADE

Cartaz do filme A SUPREMA FELICIDADE

Opinião

Alguma coisa incomoda no filme de Arnaldo Jabor. Não acho que seja o mesmo incômodo que às vezes causam seus comentários incisivos e espinhosos como jornalista (quando se trata de política, muitas vezes certeiros). A Suprema Felicidade não pretende ser ‘dona da verdade’ – tom tão característico do diretor, como o seu próprio comentário que ouvi hoje na CBN. Segundo Jabor, a crítica está contra ele e seu filme não é óbvio. Disse inclusive que quem gostou não precisa se sentir um idiota, afinal os cinemas estão lotados e o filme está sendo aplaudido de pé. E alerta: quem não gostou é porque acha que o cinema hoje se restringe a “tiros e carros”. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, não é mesmo?

O filme tem, sobretudo, um tom de nostalgia, de melancolia de um tempo que passou, de um Rio de Janeiro que já não existe mais, das relações que começam românticas e sonhadoras e acabam esfaceladas, da descoberta do amor e sua decepção. Há algo no ar de A Suprema Felicidade que deixa o filme confuso. A falta de linearidade – o que é um recurso muito útil – aqui me deu a sensação de confusão, de uma mente que está misturando alegorias, sonhos, fantasias, caricaturas, sem realmente deixar uma mensagem. O filme tem momentos bonitos e eu diria que a maioria deles tem como protagonista Marco Nanini no papel de avô do garoto. Ele solta verdadeiras pérolas, mostrando que sua experiência de vida o ensinou a relevar muitas coisas na vida, viver o momento presente e não deixar que a crueza dos fatos o paralisem. Das preciosidades, a maior delas: que ninguém é feliz nessa vida; com sorte, será alegre.

Se intenção de Jabor foi despertar para uma reflexão sobre o assunto, talvez tenha conseguido. No quisito enredo e produção, deixaria de lado vários cenários e personagens que fazem parte de um imaginário mais pobre e artificial: as marchinhas de carnaval, o pipoqueiro paquerador, o comprador de jornais, os prostíbulos – as repetições me deixaram impaciente. Pra quem viveu o Rio de Janeiro de meados do século 20, talvez faça mais sentido; pra quem não viveu, garimpe momentos entre neto e avô. São os melhores conselhos, são os mais felizes.

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